14 de novembro de 2012

Florestan Fernandes: marxismo, ciência e revolução

Florestan Fernandes: marxismo, ciência e revolução

A trajetória intelectual e política de Florestan Fernandes é objeto desta nova página de marxismo21. Dela constam textos do cientista social,  artigos de pesquisadores sobre aspectos de sua vasta obra,  entrevistas, vídeos e outros documentos. Publicamos abaixo um breve texto de Paulo Martinez, especialmente elaborado para o blog; nele, o historiador reflete sobre questões e desafios teóricos para se compreender a originalidade e a especificidade do pensamento político de Florestan Fernandes. Por sua vez, Caio N. de Toledo, um dos editores de marxismo21 examina um dos maiores desafios do trabalho intelectual de Florestan: articular a obra teórica e a militância político-ideológica na direção do socialismo revolucionário.  Talvez a significativa foto acima – na intimidade de sua oficina de trabalho -  contribua para questionar os intérpretes da obra de Florestan Fernandes que buscam dissociar a produção teórica de seu compromisso político; para estes hermeneutas, a obra seria rigorosa e científica, enquanto o engajamento estaria comprometido pela idealização utópica ou cativo das armadilhas da ideologia. Os Editores.


Democracia e socialismo

Florestan Fernandes

 A controvérsia suscitada pela Revolução Russa ainda não chegou ao fim, e ate hoje existem os que temem a supressão da democracia em troca da igualdade social. Ora, igualdade sem liberdade não corresponde ao ideário e à utopia do socialismo, tão bem encamados por Rosa Luxemburgo e Antonio Gramsci. Ao contrario de pensadores social-democratas ou marxistas, ambos compreenderam, como mais tarde o fariam Bobbio, Colletti e Gorz, que as condições de atraso econômico, cultural e político da Rússia pré-revolucionaria acarretavam consequências que impediam a conversão da ditadura do proletariado em uma forma mais avançada e completa de democracia. Tumultuosa e contraditória, ela teria de nascer da emergência do auto governo coletivo da maioria.

Desvendada resumidamente por Marx nos escritos de 1840, essa forma de democracia foi examinada com extrema objetividade e crueza na Crítica ao Programa de Gotha. Havia, no entanto, confiança no futuro e a certeza de que a revolução se desencadearia na Europa, irradiando-se em seguida para sua periferia e países coloniais, o que acabou se mostrando inviável.

Tanto Rosa quanta Gramsci julgavam que a estatização e a socialização dos meios de produção conduziriam aos ideais democráticos e igualitários do socialismo e do comunismo. Sua crítica é positiva: acreditavam nos sovietes – ou conselhos – e promoviam a exaltação de sua autonomia contra os desvios burocráticos, registrados por Lenin e, posteriormente, denunciados com veemência por Trotsky.

É interessante voltar a Rosa Luxemburgo, dolorosamente lúcida no ataque ao “revisionismo” e no diagnóstico da social-democracia. Sem o sarcasmo e a virulência de Lenin, ela se limita a desvendar as misérias do partido, no momento em que a liderança política e a burocracia aliavam-se contra a revolução, atraiçoando o socialismo,  fortalecendo as classes dominantes e conferindo legitimidade ao Estado capitalista. O Partido Social Democrático (SDP) mantinha a reverência por seus símbolos, bandeiras e valores marxistas. Simples fachada… Como letras mortas ou um poema sem encantos, o marxismo, o lassalleanismo e, mesmo, o bernsteinismo ficaram para trás. Esse processo de degradação aburguesada do socialismo e dos seus fundamentos teóricos e políticos não era localizado. Grassava por toda a Europa e repudiava sua corrente revolucionaria como pura verborragia. As dificuldades e a adulteração do marxismo, por causa do isolamento e das conseqüências imprevistas da Revolução Russa, conferiam uma aparência de verdade as versões da “democracia acima de tudo” emanadas do farisaísmo pequeno-burguês e intelectualista. Se, de fato, a democracia estivesse em jogo, ela jamais poderia ser dissociada do socialismo. Em relações compassivas e comprometedoras com a ordem existente, ser cruzado da democracia equivalia a abandonar o socialismo e atribuir ao capitalismo a faculdade de assegurar liberdade, igualdade e solidariedade juntamente com a perpetuação da propriedade privada, a expropriação do trabalhador dos meios de produção e a intangibilidade da sociedade civil. Tratava-se do avesso do que fora a social-democracia anteriormente, em especial ate o Kautsky revolucionário (do final do século XIX ate cerca de 1910).

Dois movimentos históricos simultâneos reforçaram, ampliaram e aprofundaram a tendência apontada. De um lado, a União Soviética necessitava de um “respiro histórico” para sobreviver através da coexistência pacifica, alternada com eclosões ocasionais de hostilidade programada com as nações capitalistas. As “frentes populares” puseram em primeiro plano a democracia como valor final. Deixaram a parte, porem, o questionamento fundamental: que tipo de democracia? A capitalista, que institucionaliza a classe como meio social de dominação e fonte de poder, ou a socialista, que deve tomar como alvo a eliminação das classes e o desenvolvimento da autogestão coletiva, passando por um período de dominação da maioria, tão curto quanta possível? De outro lado, a expansão do capitalismo – com um prolongado espaço de tempo de prosperidade, dissuasão policial-militar das divergências dos que poderiam ser representados como “inimigos” internos e externos, coalescência de um sistema mundial de poder e alternância de promessa e repressão – forjava novas condições de aburguesamento dos assalariados qualificados, dos intelectuais e da “solução negociada” dos conflitos por emprego, níveis de salários, padrões de vida ou oportunidades educacionais.

Pela própria impulsão das transformações democráticas da civilização, a “reforma capitalista do capitalismo” brotava como alternativa ao socialismo e como “via de transição gradual” ate ele. Willy Brandt personifica essa objetivação da liquidação da social-democracia como partido socialista stricto sensu. A presença norte-americana e aliada na Alemanha justificaria a evolução. Contudo, poderia, por si só, servir como ingrediente revolucionário, se o socialismo proletário marxista se tivesse mantido vivo no SDP. E o resto da Europa? Ali o processo ocorreu generalizadamente, o que implicava uma opção contra o socialismo revolucionário, em favor do aburguesamento. Essas considerações nascem de uma convicção: enfrentamos o perigo de ver abater-se sobre nós o restabelecimento da confusão entre democracia e socialismo. ler mais

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Florestan Fernandes: a vitalidade de um pensamento político

Paulo Henrique Martinez*

O pensamento político do sociólogo Florestan Fernandes guarda muitas possibilidades de reflexão e de desdobramentos investigativos. Conhecemos, hoje, inúmeros livros que estudam o conjunto de sua obra, esmiuçando aspectos e temáticas ali abordados – educação, metodologia, o negro, entre outros. Há também vários escritos sobre a sua trajetória biográfica e intelectual. São demonstrações da vitalidade desta reflexão sobre a sociedade brasileira construída na segunda metade do século XX.

Os olhos analíticos de Florestan Fernandes miram a realidade social passada e presente em duplo movimento de perspectivas. Uma habilidade camaleônica de observação, capaz de deter-se fixamente em um foco determinado, e de mobilidade do olhar que apreende múltiplas determinações na realidade interrogada. Florestan Fernandes denominou com precisão este procedimento analítico: histórico-sociológico.

Esta duplicidade na captação de sentidos sociais opera outra, a de perspectivas. Uma é cultural, imersa no ambiente dinâmico e criativo dos tempos de nacionalismo e das agruras do desenvolvimento econômico em nosso país. A outra é política e desponta das contradições sociais e dos antagonismos de classes que povoaram e deram densidade histórica à vida nacional até o triunfo ideológico do neoliberalismo entre nós, na década de 1990. Estas duplicidades operacionais de percepção comparecem em ações institucionais e políticas, pelo exercício da análise crítica e rigorosa, na universidade, e, a partir da ditadura militar, na avaliação do momento político veiculada na imprensa e alardeada em debates com diversificados movimentos sociais.

A bibliografia disponível sobre Florestan Fernandes elucida vários destes aspectos com maior ou menor riqueza de informações, registros e comparações. Ela nos alimenta com juízos críticos e aprofundados e permite a compreensão diacrônica e sincrônica de sua reflexão sociológica e histórica. Os esforços têm sido, predominantemente, compreensivos e explicativos dos contextos e das formulações intelectuais em dada obra ou conjunto delas, pesquisas ou momentos biográficos e de ação institucional.

O conhecimento histórico da organização da sociedade brasileira sugere a leitura da obra de Florestan Fernandes seguindo a via de seus estudos que assumiu vigor interpretativo e marcos teóricos precisamente demarcados sobre os dilemas da dominação de classes no Brasil. Esta organização de estudos conta com duas sugestivas iniciativas editoriais. A primeira é a reunião de quatro textos no volume publicado nos Estados Unidos, em 1981, sob os cuidados do historiador norte-americano Warren Dean, intitulado Reflections on the brazilian counter-revolution: essays (New York: M. E. Sharpe). A segunda é de 2008, com a publicação, em espanhol, da coletânea de textos organizada pela professora Heloísa Rodrigues Fernandes, Dominación y desigualdad: el dilema latinoamericano (Buenos Aires: Prometeo/CLACSO).

Os dois volumes em edição estrangeira foram compostos com textos publicados no Brasil, são conhecidos e não há ineditismo. A originalidade e o significado residem na reunião de escritos voltados para questões específicas e que respondem pela unidade temática destes dois livros: a contra-revolução, a dominação e a desigualdade social. Não temos, ainda, estas e semelhantes coletâneas com segmentação analítica específica, editadas aqui, particularmente sobre o pensamento político de Florestan Fernandes e suas análises sobre dos referidos dilemas da dominação social no Brasil.

As duas coletâneas são instigantes e instrutivas para o estudo deste pensamento político. Ambas revelam em Florestan um arguto analista dos processos de dominação e de contra-revolução. Este analista, e também aprendemos isso lendo os textos selecionados por Warren Dean e Heloisa Fernandes, é maior e prevalece sobre qualquer indício de um estrategista da ação política. Este componente não deriva da escolha dos textos. É, antes, consciente e deliberado no próprio autor dos escritos ali reunidos. O fato pode parecer contraditório a alguém que, como Florestan Fernandes, não escondia sua admiração intelectual e política por Marx, Engels e, sobretudo, Lênin.

Esta renúncia a qualquer ambição de direção teórica e política, por um lado, causou frustração a inúmeros militantes que, no PT ou fora dele, engajaram-se nas duas campanhas eleitorais para deputado federal que o sociólogo paulista disputou – e foi eleito em ambas – em 1986 e 1990. A reivindicação de um papel intelectual consistentemente definido em ação e reflexão, por outro lado, foi sustentada mesmo em momentos politicamente adversos, como a “Nova República”, a queda do muro de Berlim, o governo Collor e a segunda derrota eleitoral de Lula, em 1994. O lema adotado em sua campanha para a Assembleia Constituinte expressou com nitidez este papel: “contra as idéias da força, a força das idéias”. Alguns títulos dos livros que publicou durante estes anos reafirmavam este sentido e o compromisso da ação política do intelectual engajado nas disputas sob a orientação socialista, como sugerem Pensamento e ação: o PT e os rumos do socialismo (1989) e A contestação necessária (1995).

Pode-se argumentar que Florestan Fernandes jamais migrou da universidade para a política, da reflexão para a ação política. Ou ainda dizer que houve uma rotação de perspectivas, de uma em direção à outra. Este raciocínio implica desconsiderar o papel político do intelectual que ele elaborou e assumiu para si, a partir da ditadura militar e depois dela. A reflexão contestadora foi alçada ao rol de tarefas políticas que incluíam a criação e a ampliação de espaços políticos para as classes trabalhadoras, a massa dos excluídos, dos marginalizados e a busca do caminho do poder.

A imersão de Florestan Fernandes na reflexão política resultava, de uma parte, da repressão do governo militar e, por outra, do próprio alcance das atividades dos intelectuais na política de índole reformista ou revolucionária. Para além dela, a reflexão, as demais tarefas políticas demandavam a  dinâmica social e da luta de classes no Brasil, e colocava como inatingíveis ou inócuas opções teóricas fixas e obsessivas, diante do imponderável daquelas mesmas disputas e conflitos. Em segundo lugar, as oportunidades históricas para a transformação social podem ser perdidas e desperdiçadas nos confrontos políticos, tanto quanto podem ser construídas coletivamente nesta sociedade em contínuo processo de revolução democrática.

Nos escritos reunidos nas referidas coletâneas ressaltam as amarguras diante das evidências de que vivemos, no Brasil, um conflito político caracterizado como uma “contrarrevolução permanente”. Esta peculiaridade social poderia ser examinada em outras escalas, como a dos demais países da periferia do capitalismo, partindo dos textos em que Florestan Fernandes tratou da América Latina, por exemplo. O estudo da experiência histórico-social da revolução cubana é uma pista para desdobrar a sua reflexão política. Ele é indicativo também do vínculo político e ideológico que os intelectuais poderiam assumir na revolução contra a ordem e na construção do socialismo em nações de capitalismo periférico. A “contrarrevolução permanente”, por sua vez, estaria sujeita às variações históricas e sociais, contraditórias e inerentes ao próprio desenvolvimento capitalista, lançando-a, sistematicamente, no desafio de promover a própria reciclagem e atualização. Em seu embate para conter a revolução democrática, a contrarrevolução desafia, sistematicamente, a imaginação política e a criatividade intelectual sob os prismas do materialismo histórico no Brasil.

O pensamento político de Florestan Fernandes revela vitalidade teórica e prática bastante rica e insuficientemente examinada e difundida.  Os estudiosos do marxismo no século XXI estão diante de volumosa carga de trabalho interpretativo e investigativo nas ciências sociais e na história do pensamento político. Esta situação poderia ser enfrentada, inicialmente, com uma seleção de seus textos que tratem da revolução democrática no Brasil, o que podem nos dizer sobre o país de hoje e de perspectivas de futuras transformações. Em outra direção estaria o exame das experiências históricas em que a dominação de classe recorreu abertamente à contrarevolução preventiva, como a ditadura de Franco (1939-1975), na Espanha, e o regime do apartheid (1948-1994), na África do Sul. Os resultados imediatos viriam nas possibilidades de análises comparativas e na avaliação dos marcos teóricos e interpretativos.

* Professor do Departamento de História da Faculdade de Ciências e Letras de Assis, UNESP.

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Sociologia & socialismo na obra de Florestan Fernandes *

Caio N. de Toledo

O compromisso intelectual
 Na obra de Florestan Fernandes a questão do socialismo não se constituía um assunto entre outros. Não era também um objeto de discussão abordado de forma teórica ou abstrata como imporia a pesquisa de outras problemáticas de natureza sociológica ou histórica; particularmente nas duas últimas décadas de sua produção intelectual, o socialismo era uma questão vital e prioritária. Mais do que isso, para ele, o socialismo era uma questão existencial na qual ele se engajou de corpo e alma.
Não obstante este forte compromisso ideológico com o socialismo, Florestan Fernandes – ao avaliar o conjunto de sua obra e trajetória pessoal – reconhecia que foi ele, sempre e acima de tudo, um intelectual. Ou seja, como intelectual crítico nunca abdicou dos recursos próprios do trabalho científico: da teoria, da pesquisa e da fundamentação empíricas, dos recursos metodológicos e analíticos da lógica dialética.
Em sua produção intelectual, o combate pelo socialismo não se fazia apenas do ponto de vista ético-humanista na medida em que sua defesa estava fundada em uma rigorosa análise da sociedade de classes, das irreconciliáveis contradições da ordem capitalista e do Estado burguês no Brasil. Nos escritos do sociólogo, do publicista e do tribuno militante, a luta incondicional pelo socialismo esteve sempre, pois, apoiada na pesquisa empírica e na sólida argumentação teórica, jamais se confundindo com a propaganda ou com a retórica que, por vezes, estão presentes em panfletarismos de orientação esquerdista (na acepção crítica formulada em clássico texto de Lênin).
Por outro lado, Florestan nunca deixou de ironizar os chamados socialistas de cátedra ou os marxistas de gabinete que “não sabiam o que fazer” com seus conhecimentos sobre Marx e Engels. Seu juízo sobre estes colegas, no exterior e no Brasil, nunca foi complacente nem ameno: muitos intelectuais eram basicamente universitários e sua erudição se limitaria à carreira acadêmica, não à atividade revolucionária. Nesse sentido, assinalava que esses intelectuais frequentemente contribuíam para aburguesar o marxismo.
Ao contrário da maioria dos autores do chamado marxismo ocidental, Florestan Fernandes buscou sua inspiração no marxismo clássico: Marx, Engels, Lênin, Rosa Luxemburgo, Trostky – pensadores cujas obras refletiram as lutas sociais de seus tempos e buscaram oferecer, junto aos movimentos sociais, respostas radicais para a superação da ordem burguesa. Nas suas palavras, o socialismo científico ou o comunismo, formulados por tais autores, não brotaram apenas da crítica da filosofia, da economia e da história burguesas; a teoria socialista nasceu do confronto da crítica com o concreto, foi ela possível em virtude da existência das lutas efetivas do proletariado contra o capital, a sociedade de classes e o Estado burguês.
Levando em conta estes pressupostos e afirmações, a questão que se impõe ao analista é a seguinte: em que medida o cientista social – na esteira do marxismo clássico – conseguiu articular, de forma consistente e harmônica, o pensamento e a ação, a teoria e a política? Teria Florestan conseguido escapar às críticas tradicionais dirigidas ao intelectual acadêmico que privilegia a Ciência em detrimento do engajamento social e político ou, em outras palavras, que privilegia o trabalho teórico em detrimento da luta pela transformação radical da sociedade de classes? De forma mais precisa, como ele compatibilizaria a pesquisa sociológica rigorosa com a defesa da revolução socialista?
* Texto originalmente publicado em Crítica e Sociedade. Revista de Cultura política, vol. 1, no. 1, 2011. Universidade Federal de Uberlândia. Este artigo é dedicado a Heloisa Fernandes cuja figura humana, convicções políticas e compromisso intelectual fazem nos lembrar os caminhos trilhados por seu saudoso e afetuoso pai, Florestan Fernandes.
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Textos de Florestan Fernandes e de pesquisadores sobre aspectos de sua obra

Sobre o trabalho teórico, entrevista de Florestan Fernandes

acesso
Ciências sociais na ótica do intelectual militante, F. Fernandes

acesso
 Em busca do socialismo, F. Fernandes

acesso
 PT em movimento, F. Fernandes

acesso
 Sobre Caio Prado Júnior, F. Fernandes

acesso
A percepção da Assembleia Nacional Constituinte, F. Fernandes

acesso
 Capitalismo dependente e revolução social em FF, M. Limoeiro-Cardoso
 
acesso
 A Sociologia de Florestan Fernandes, Octavio Ianni
 
acesso
 Florestan Fernandes e o radicalismo plebeu em Sociologia, Gabriel Cohn
 
acesso
 Ensaios sobre o pensamento educacional de FF, Marcos Oliveira
 
acesso
 F. Fernandes e os dilemas intelectuais contemporâneos, Eliane Veras Soares
 
acesso
 Marxismo e “imagem do Brasil em FF”, Carlos Nelson Coutinho
 
acesso
 Intelectuais, vida acadêmica, marxismo e política no Brasil, Milton Lahuerta
 
acesso
 Indivíduo e sociedade: Florestan Fernandes e Nobert Elias, Marcelo Rosa
 
acesso
 Florestan Fernandes, o sociólogo militante, Vladimir Sachetta
 
acesso
 A sociologia de Florestan Fernandes, Maria Arminda Arruda

acesso
 A questão democrática em Florestan Fernandes, Silvana Tótora
 
acesso
 FF e a crítica da economia política desenvolvimentista, Rodrigo Castelo
 
acesso
 Pensar o capitalismo contemporâneo a partir da obra de FF, Thiago Mandarino
 
acesso
 F. Fernandes, História e Histórias, entrevista a G. Cohn e outros
 
acesso
 As três casas de Florestan Fernandes, Heloisa Fernandes Silveira

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Dissertações e teses acadêmicas *

A critica do capitalismo dependente, Plinio Sampaio Jr.
 acesso
Capitalismo dependente e (contra) revolução burguesa no Brasil, C. Paiva
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Florestan Fernandes e Guerreiro Ramos : para além de um debate, T. Martins
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Sociologia de F. Fernandes e a questão educacional, Debora Mazza
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 F. Fernandes : pedagogia nova e a centralidade da categoria Revolução, Gilcilene Barão
 acesso
F. Fernandes e a questão da intelectualidade, Tatiana Martins
 acesso
* O acesso às dissertações e teses defendidas na Unicamp  é possível após um rápido e simples cadastramento na página da biblioteca digital da Universidade. Feito isso, todos demais acessos serão automáticos.

Vídeos

Entrevista de Florestan Fernandes ao programa TV Cultura, SP (1994)
acesso
O mestre, TV Câmara Federal
acesso
 Em defesa do marxismo, 1991, Faculdade de Direito USP
acesso
 Miriam Limoeiro-Cardoso, capitalismo dependente e classes sociais
acesso
Depoimento de Antonio Candido em homenagem a Florestan Fernandes

Toma Professor...

Toma professor...
Esse é o preço da sua acomodação, da zona de conforto que o impede de se mobilizar para a luta.
No rítmo que as coisas andam, chegará um dia que não haverá piso salarial do Magistério.
Professor viverá de bônus e gratificações.
Toma professor..


 Jornal Extra on line...hoje

Professor estadual vai ganhar gratificação de até R$ 4 mil se tirar boas notas em provas

Professores com mais de um ano de estado poderão participar
Professores com mais de um ano de estado poderão participar Foto: Seeduc / Divulgação

Os cerca de 75 mil professores da rede estadual ganharão gratificações de até R$ 4 mil, caso passem em provas de conhecimento que o governo vai aplicar a partir do próximo ano. O primeiro exame de certificação para os docentes deverá ser aplicado no primeiro semestre de 2013. Os aprovados vão receber a bonificação do primeiro nível, cujo valor mensal vai variar entre R$ 500 e mil reais, conforme a carga horária.
Em 2014, quem passou na primeira etapa poderá fazer a prova do segundo nível. Os aprovados nessa fase passarão a receber adicionais entre mil reais e R$ 2 mil mensais. A última etapa da iniciativa está programada para 2015, quando deverá acontecer o exame do terceiro nível. Quem tiver boa nota nessa prova vai receber bônus entre R$ 2 mil e R$ 4 mil. Segundo a Secretaria estadual de Educação, o professor que tiver duas matrículas e for aprovado vai receber a gratificação em dobro.
Poderão fazer as provas os professores que tiverem, pelo menos, um ano de trabalho no estado. Quem passar pelo primeiro nível, mas não for aprovado no segundo, não vai perder o adicional que já ganhou. No entanto, o docente terá que renovar, a cada cinco anos, a certificação conquistada, fazendo uma nova prova, sob o risco de perder o benefício. Se o professor quiser, poderá pedir para que o valor do bônus tenha desconto previdenciário. Com isso, a quantia será considerada no cálculo da aposentadoria.
Os professores que não passarem nas provas poderão fazer um curso de aperfeiçoamento, de dez meses, com direito a uma bolsa de R$ 300 mensais, e tentar novamente no próximo exame. Um dos objetivos da Secretaria de Educação é atrair novos profissionais para a rede estadual. Somente em 2013, o estado vai investir cerca de R$ 100 milhões no pagamento dessas gratificações. Em 2015, esse valor deve chegar a R$ 400 milhões. Uma instituição externa, ainda a ser escolhida, cuidará da elaboração das provas.

Leia mais: http://extra.globo.com/emprego/servidor-publico/professor-estadual-vai-ganhar-gratificacao-de-ate-4-mil-se-tirar-boas-notas-em-provas-6724891.html#ixzz2CDq4n3Lg

13 de novembro de 2012

Professores pedem exoneração da rede municipal

Nove professores da rede municipal de Campos pedem exoneração de seus cargos.

 As portarias, de números 1790/2012 a 1798/2012 estão no Diário Oficial do dia 9/11, página 2 (aqui).
Essa é a realidade da Educação em Campos que a Prefeita Rosinha insiste em ignorar.
A falta e valorização profissional, baixos salários, assédio moral são, dentre outros, alguns dos motivos que levam a evasão de professores da rede.

Lançamento da 7ª Bienal do Livro em Campos dos Goytacazes atrai toda a imprensa regional.





A cerimônia de lançamento da 7ª Bienal do Livro em Campos dos Goytacazes, que tem como tema – ‘Leitura que muda o mundo’- ocorrida nesta segunda-feira (12), no auditório do Palácio da Cultura contou com a presença de grande público, além da prefeita Rosinha Garotinho  e demais autoridades, destaque, também para o grande número de jornalistas de toda a imprensa regional na cobertura do evento. Este ano, os homenageados da bienal serão Jorge Amado, Luiz Gonzaga, Osório Peixoto e Alberto Lamego.  A Bienal do Livro em Campos, e que acontece de dois em dois anos, é considerada a bienal regional, visto ser um evento já consolidado e que agrega grande valor para todos os demais municípios da região, pela enorme presença de público que sempre esteve presente,  e dada importância maior na sua essência, pela valorização e desenvolvimento do hábito da leitura, além do intercâmbio literário e cultural que cada edição oferece.
A abertura da cerimônia de lançamento foi feita pela prefeita Rosinha. “Esse encontro literário tem por objetivo promover uma reflexão social, principalmente nos nossos jovens, que por meio da literatura tem a oportunidade de construir um mundo novo. É através da cultura que podemos fomentar o espaço em nossa terra, trazendo mais cultura e isso se afirma nessa Bienal. A palavra é o próprio homem e discutir a literatura faz formar um homem mais tolerante, menos individualista, que se reconhece nos outros. A literatura é tão importante que disponibilizaremos um site com mostras dos autores campistas nessa Bienal” ressaltou.
A bienal vai acontecer de 23/11 a 02/12 no Centro de Eventos Populares Osório Peixoto (Cepop) e contará com uma vasta programação de alto nível para todas as idades. Segunda a curadora da bienal, Susana Vargas, o adiamento da bienal para o final do ano, uma vez que ela sempre foi realizada entre maio e junho, ocorreu por conta de alguns fatores, como por ex., a dificuldade da agenda de escritores que haviam sito contatados, porém, devido a outros eventos fora do país, alguns não puderam fechar o contrato de participação e, assim, a organização do evento ficou prejudicada na corrida contra o tempo por ter que refazer uma nova agenda de contatos e aguardar as confirmações.
Ao todo, serão 4 mil m² com a expectativa de um fluxo de 10.000 pessoas por dia, que terão a oportunidade de participar de diversas atrações como oficinas e palestras com Muniz Sodré, Maria Colasanti, Frei Betto, Thalita Rebouças, Laura Muller, Jairo Bouer, Mv Bill, Antônio Carlos Secchim, Joel Rufino, Marcelino Freire, Ziraldo, Rildo Hora, Carlinhos de Jesus, Daniel Gonzaga e Elba Ramalho, além das atrizes Cássia Kiss e Lucélia Santos .
Além do novo espaço para a realização, a Bienal contará com outras novidades como o espaço do professor, para a realização de minicursos e produções literárias, e o espaço para os artistas locais. Como nas Bienais anteriores, se mantiveram os espaços do Botequim Literário, Leituras na Caverna, Café Literário e Espaço Jovem.
Durante o lançamento, apresentações de algumas obras famosas como “Capitães de Areia” e “Gabriela” de Jorge Amado e o “Menino Maluquinho” de Ziraldo, prestaram uma homenagem a esses grandes nomes da cultura brasileira.

12 de novembro de 2012

Túnel do tempo...

  Isso foi em dezembro de 2011...

 

SECRETÁRIA APROVA PRORROGAÇÃO DO PRAZO PARA ELEIÇÃO DE DIRETORES DE ESCOLAS EM CAMPOS

Aconteceu hoje pela manhã a reunião ordinária do Conselho Municipal de Educação.
A Secretária de Educação, Joilza Rangel, apresentou proposta de prorrogação do prazo para as eleições de diretores de escolas, POR 1(um)ano.
As eleições para diretores de escolas consta no Plano Municipal de Educação, aprovado em 14/12/2009, por unanimidade na Câmara de Vereadores de Campos, com prazo para ser colocado em vigor no período máximo de 2(dois) anos, expirando, portanto, o prazo exatamente no dia de hoje.
A proposta foi aprovada por 13 votos dos Conselheiros presentes - representantes de instituições com assento no Conselho.
O VOTO CONTRÁRIO foi da representante do SEPE/Campos no referido Conselho, que declarou seu voto de próprio punho. Daqui a instantes será publicado a declaração de voto contrário a prorrogação das eleições de diretores.
O SEPE tem nas eleições para diretores uma bandeira de luta da qual não abre mão. Assim, providências serão tomadas para garantir o cumprimento da Lei Municipal.
Não devemos permitir a continuidade do "loteamento" político por parte dos vereadores - com aquiescência da prefeita Rosinha - na indicação de diretores de escolas que, no momento das eleições municipais são "usados" como cabos eleitorais.
Percebam que o prazo aprovado é posterior as eleições municipais de 2012.

VERGONHA!!!

Estudantes fazem manifestação na RJ 216


Jornal Terceira Via

Alunos da Escola Estadual Desembargador Ferreira Pinto, em Donana, ameaçam interditar estrada

Dezenas de estudantes da Escola Estadual Desembargador Ferreira Pinto, em Donana, fizeram uma manifestação na RJ 216, na manhã desta segunda-feira (12 de novembro), por causa da falta de transporte na localidade.

De acordo com Vitor Souza Rodrigues, aluno do ensino médio e presidente do grêmio escolar, alguns estudantes levam até duas esperando por uma condução. “A gente leve 40, 50 minutos no ponto. Quando, enfim, chega um ônibus, normalmente está cheio ou não param porque somos estudantes e não pagamos passagem”, afirmou o aluno.

A estudante Bruna Tavares alega que o problema vai além. Segundo ela, é comum alguns motoristas desrespeitarem estudantes e idosos. “Eles não param e, quando param, querem que a gente pague passagem. Querem nos ofender, humilhar. Já fui até xingada por um motorista”, denuncia.

A situação é tão complicada que a direção da escola decidiu prorrogar o tempo de tolerância. Entretanto, também não foi a solução. Segundo a diretora adjunta Brasilina Andrade, já foram encaminhados diversos ofícios a Emut, mas a empresa não deu nenhum retorno. “Os alunos estão se prejudicando. Estamos no fim do ano e muitos deles perdem até três aulas por dia. Alguém tem que tomar uma providência”, frisou a educadora, ressaltando que no ano passado a escola promoveu uma manifestação no mesmo lugar.

Durante o inicio da manifestação, motoristas acionaram policiais do BPRV, que convenceram os alunos a não interditar a estrada. Os alunos disseram que, se nada for feito, eles irão realizar uma nova manifestação, ainda mais volumosa, interditando totalmente a RJ 216, e se necessário for, irão atear fogo em pneus.

O diretor de transportes da Emut, Sidney Santana, disse que a solução do transporte coletivo de Campos vem sendo estudada pelo órgão, por meio de audiências públicas,  que devem resultar nas melhorias do transporte público. Será feito, ainda, um processo de licitação para beneficiar moradores de todos os bairros e distritos de Campos.

A prefeitura não deu um prazo para a resolução dos problemas.

10 de novembro de 2012

Sobre educação e negócios




Em vésperas de vestibulares e nos períodos em que ocorrem as provas do Enem – Exame Nacional do Ensino Médio – a imprensa costuma reforçar o noticiário e as análises sobre educação no Brasil. O teor é sempre o mesmo, no arco que vai desde a má qualidade do ensino até as chances de o Brasil, com uma população de baixa escolaridade, competir no mercado global de alta tecnologia. 

Durante alguns anos, até muito recentemente, uma das principais diversões de cidadãos de classe média na internet era trocar mensagens com barbaridades supostamente cometidas por estudantes despreparados. Tais manifestações nunca dissimularam o ranço do preconceito social contra quem nunca teve oportunidade de frequentar escolas pelo menos razoáveis. 

Na sexta-feira (9/11), em meio ao intenso noticiário sobre o Enem, o Estado de S.Paulo traz um caderno especial intitulado “Educação, ferramenta para o desenvolvimento”. Diz o enunciado na primeira página: “Para não perder a corrida da competitividade, o País precisa enfrentar o desafio de investir na qualificação profissional”. 

Qualidade baixa 

Não por acaso, esse suplemento vem abrigado na editoria de Economia e Negócios. É o resultado de debates realizados pelo jornal paulista em parceria com a Confederação Nacional da Indústria, no terceiro encontro da série de fóruns chamada “Brasil competitivo”. Trata-se, portanto, de uma visão da educação voltada especificamente para os interesses da indústria. 

Esse contexto explica, a princípio, o foco central do trabalho: o objetivo de seus patrocinadores é discutir unicamente aquilo que, no entender dos organizadores do evento, representa a principal carência do Brasil no que se refere à educação: “a falta de mão de obra qualificada”. 

Dentro do amplo espectro da questão educacional, a única coisa que interessa, no caso tratado pelo caderno especial do Estadão, é a educação profissionalizante, considerada fundamental para aumentar a produtividade da indústria nacional. Segundo a publicação, a indústria brasileira precisará de 7,2 milhões de técnicos até 2015, para atuar em 177 atividades industriais. 

O panorama desenhado pelo suplemento do Estadão é, no fundo, otimista, porque projeta uma necessidade crescente de profissionais, o que indica a perspectiva de crescimento da economia e, principalmente, da indústria. 

Numa das entrevistas, a diretora executiva do movimento Todos pela Educação, iniciativa de empresários e ativistas sociais, afirma que o Brasil poderá ter, até 2022 – portanto, em dez anos – um sistema de educação básica de qualidade para toda a população. 

Nos últimos anos, o país conseguiu colocar 98% de suas crianças no ensino fundamental, mas a qualidade ainda é baixa e a evasão elevada: no ensino médio, o índice de matriculados cai para 80%, e apenas 50% do total de estudantes concluem essa etapa da educação essencial. 

Visão otimista 

Essa é a chave para entender o dilema da indústria: a defasagem criada entre o início e o fim do ensino médio dificulta a capacidade de aprendizado das questões mais complexas que implicam, por exemplo, funções técnicas de montagem, controle e manutenção de equipamentos que envolvem eletrônica; adequação de processos a normas técnicas, e – principalmente – a fabricação de insumos imateriais, como programas de computador e aplicativos para outros aparelhos de comunicação e informação. 

Enquanto o Brasil avança no uso de equipamentos automatizados e se insere entre os maiores usuários de dispositivos digitais, aumenta sua dependência de fornecedores estrangeiros e diminuem suas chances de acompanhar a evolução da tecnologia. 

A falta de qualificação se reflete até mesmo nas escolhas do consumidor: o uso de telefones celulares de terceira geração é muito reduzido no Brasil, principalmente porque os consumidores não sabem diferenciar entre os aparelhos obsoletos que as empresas oferecem aqui e as alternativas mais avançadas disponíveis há muito tempo em outros países, por preços mais baixos. 

No caso das comunicações, estamos vivendo o mesmo fenômeno que marcou a indústria automobilística nos anos 1990, quando os brasileiros se satisfaziam com modelos que o ex-presidente Fernando Collor chamou de “carroças”. 

O fato de que apenas 25% dos celulares vendidos no Brasil têm habilitações de smartphones atrasa o desenvolvimento de muitos negócios e reforça a exclusão digital. 

O acesso à tecnologia digital poderia ajudar a melhorar a educação. Esse é um dos aspectos do círculo de carências que afetam a educação e a economia.

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Argumentos contra o financiamento do novo Plano Nacional de Educação são falsos e enviesados




Em fins de junho passado, uma Comissão Especial da Câmara dos Deputados aprovou um novo Plano Nacional de Educação (PNE), em substituição à versão originalmente apresentada pelo poder executivo federal. Entre as vinte metas contidas na versão final está o aumento do investimento em educação pública, o qual deverá atingir 7% do PIB nacional até o quinto ano de sua vigência e 10% até o décimo ano. A aprovação ainda não é definitiva, pois o projeto deverá ser apreciado pelo Senado. 

Imediatamente após a aprovação, surgiram manifestações, especialmente em parcela da mídia escrita, que, ao desqualificarem o proposto aumento dos investimentos, objetivavam pressionar os membros do Congresso Nacional para reverem os valores e, possivelmente, já sinalizar à Presidência da República que um eventual veto, caso a proposta seja mantida, seria bem recebido. 

Valores insuficientes 


Nessa tentativa de desqualificação da proposta aprovada, caracterizando-a como demagógica, o velho e desgastado argumento “dinheiro para a educação, tem; o problema é que ele é mal administrado” foi ressuscitado. Ora, quem tem a mínima ideia dos custos envolvidos se dá conta de que tipo de educação é possível oferecer com investimentos da ordem R$ 250,00 por mês e por estudante na educação básica, como ocorre atualmente na enorme maioria das redes estaduais e municipais, sendo esses, em muitos casos, ainda menores do que o valor acima apontado. É essa a disponibilidade mensal de recursos, correspondente tanto aos valores definidos pela lei do Fundeb para 2012 quanto ao que se obtém a partir do pouco mais do que 3% do PIB investidos por estados e municípios na educação básica (despesas correntes) dividido pelos cerca de 44 milhões de alunos atendidos. Entre outras mazelas daí decorrentes, esse baixo valor atribuído a cada aluno é uma das causas da remuneração insuficiente dos professores, cujo piso salarial mal alcança R$ 1,5 mil, e que é responsável pela falta de atratividade dessa importante profissão. 

Por melhor que seja a administração desses recursos, jamais conseguiríamos alguma coisa além daquilo que vemos acontecer em nossas escolas públicas. Nenhum país do mundo conseguiria oferecer boa educação com tão parcos recursos, próximos aos 15% da renda per capita. Além disso, caso tentássemos cumprir outras metas contidas na proposta de PNE aprovada pela Câmara dos Deputados e aumentássemos o atendimento na educação infantil, reduzíssemos a evasão no ensino fundamental e tivéssemos um ensino médio que, pelo menos nas regiões urbanas, fosse concluído pela grande maioria dos jovens, aqueles valores, já insuficientes, ficariam ainda menores, pois o mesmo recurso seria dividido por um número maior de crianças e jovens. Para um atendimento em acordo com as metas do PNE há necessidade de incluir da ordem de 5 milhões de crianças apenas na pré-escola e vários outros milhões no ensino médio regular e profissionalizante, além de recuperar alunos que se evadem ao longo do ensino fundamental. Claramente, se quisermos alcançar a reversão da situação lastimável em que nos encontramos, é necessário fazer um esforço nacional. Apenas para a urgente melhora na educação básica, uma estimativa razoável seria a destinação de 7% do PIB a esse nível no prazo mais curto possível. Para contemplar, ainda, as importantes expansões, previstas em outras tantas metas do PNE e que aumentam consideravelmente vagas e matrículas em instituições de ensino superior públicas, tanto na graduação quanto na pós-graduação stricto-sensu – esta, como se sabe, intrinsecamente acoplada à pesquisa -, são necessários, pelo menos, os 3% do PIB adicionais. 

Se nenhum país conseguiu superar atrasos educacionais acumulados, que fossem tão intensos quanto os nossos, sem investir valores próximos ou mesmo superiores a 10% do PIB em educação, por que há quem ache que nós conseguiremos? Valores típicos de investimento por criança nos países que têm um sistema educacional razoável, sejam eles pobres ou ricos, são da ordem de 25% da renda per capita, bem mais do que os valores aplicados no Brasil. 

O argumento “dinheiro tem, …”, em referência aos investimentos públicos, é usado – inadvertidamente ou não – por quem gasta com a escolarização básica de suas crianças e jovens valores mensais até dez vezes mais altos do que aqueles investidos nas redes públicas, sem, nisso, considerar os complementos educacionais como cursos de línguas estrangeiras, aulas particulares, atividades esportivas, viagens culturais etc., que se tornaram praticamente obrigatórios para a classe média. E esse investimento se estende por um período não raramente superior a vinte anos, muitos anos a mais do que a duração da educação escolar dos jovens provenientes dos setores menos favorecidos. Portanto, aquele argumento tem alguma dose de cinismo e um viés segregacionista e não republicano: a educação dos mais pobres pode ser pior que a dos mais ricos. 

Argumentar com a exceção 

Contudo, para tentar embasar esse tipo de argumento, mostram-se exemplos escolas públicas que podem ser classificadas como boas, apesar dos parcos recursos, e argumenta-se que esses exemplos poderiam ser seguidos por todas. Será? Vejamos. 

O Brasil tem perto de duzentas mil escolas públicas e dezenas de milhões de estudantes. Essas escolas apresentam um desempenho médio que é esse que vem preocupando a população e os profissionais da educação, mas, entre um número tão grande de escolas, encontraremos o padrão médio e, também, suas variações. Desse modo, como a partir de qualquer média, em especial de indicadores sociais, encontraremos um grande número daquelas que estão muito abaixo ou acima dela. Não é surpreendente, portanto, que encontremos algumas escolas que tenham, casualmente e em um determinado período, condições particularmente favoráveis por causa daqueles que nelas trabalham naquele período, de algumas particularidades de seus alunos e pais de alunos, do seu entorno geográfico etc., que lhes permitam ter um bom desempenho. Entretanto, essas são as exceções, não as regras, e assim como existem exceções para um lado, existem, também, exceções para o outro lado: uma escola com absoluta carência de professores, dirigentes desmotivados e apenas interessados em mudar o local de trabalho e um entorno violento e pobre, com pais e estudantes desinteressados, o que, certamente, levará a péssimos desempenhos. 

Podemos aprender com os dois tipos de exceção, descobrindo formas de aproveitar melhor as exceções positivas e reduzir as negativas. Contudo, sabemos: políticas públicas não podem ser feitas com as exceções e sim com as regras, isto é, com aquilo que acontece com maior frequência. É absolutamente impossível, com os atuais recursos, termos, como regra e em média, um bom sistema educacional. 

Nossa economia não suportaria… 


Outro argumento levantado contra o aumento dos recursos destinados à educação pública centra-se no seu pretenso impacto negativo sobre a economia. É notável que esse argumento cause eco e seja frequentemente repercutido pela imprensa. Destinar uma maior parte do PIB à educação não prejudica em nada a produção econômica. Na verdade, vale o contrário: muitos estudos fidedignos mostram que o retorno econômico dos investimentos em educação é alto, até mesmo superior a muitos investimentos no setor produtivo. E, novamente, basta refletir um pouco para perceber que os baixos investimentos feitos no passado são causa importante das dificuldades para o desenvolvimento da produção econômica atual no país, em especial quando se trata dos setores mais sofisticados, que sofrem com a carência de trabalhadores altamente qualificados. E, pior, como estudiosos do assunto têm alertado: por falta absoluta do ferramental básico em matemática e interpretação de textos entre os nossos jovens – atribuível às atuais condições da nossa educação – talvez não consigamos resolver essa carência antes de melhorar consideravelmente as nossas escolas públicas, onde estão quase 90% dos alunos. Não há dúvidas, portanto, que um mau sistema educacional tem consequências negativas para a produção econômica do país; melhorá-lo, portanto, só pode ter consequências positivas na economia. 

Mesmo concentrando a análise no aqui e agora, uma maior parte do PIB destinada à educação não reduzirá esse PIB, no médio prazo, como parece que aqueles contrários ao aumento proposto pretendem nos fazer acreditar; apenas a forma de se distribuir a produção é que será alterada. Afinal, se forem construídos mais prédios e equipamentos escolares, em que isso pode reduzir o PIB? Se os trabalhadores do setor educacional tiverem aumentos salariais e, portanto, mais recursos para movimentar o lado saudável da economia, por que esta seria afetada negativamente? E qual poderia ser o impacto negativo na economia se aumentarmos o número de professores e de estudantes nas escolas públicas? A necessidade premente de se empreender essas ações é uma das razões fundamentais para se aumentar os recursos em educação pública, com o objetivo de influir para a melhoria de sua qualidade. 

Nunca se ouviu falar que um maior investimento nos demais setores de serviços (saúde, transporte, hotelaria, comércio, alimentação etc.) tenha impacto negativo na economia; jamais se ouviu falar que algum país que conseguiu superar atrasos escolares investindo em educação tenha tido dificuldades econômicas por causa disso; jamais se ouviu falar de um país cuja crise econômica fosse explicada pelo fato de ter uma população bem escolarizada. E a atual crise econômica nada tem a ver com investimentos excessivos em educação, com bem sabemos. Por que, então, usar aquele tipo de argumento econômico quando se trata da educação pública brasileira? 

Interesses econômicos 

Há acusações de que a reivindicação por mais recursos para a educação é corporativa, pois conta com o apoio de entidades estudantis e de professores. Isso não está correto: uma melhor remuneração dos professores consta do pacote de ações do PNE e, sem dúvida, é amplamente reconhecida como condição básica para reverter a desvalorização, que atualmente afeta a profissão, implicando baixas oferta e procura por cursos de licenciatura, em especial na área de ciências exatas. Essa reivindicação está na pauta de muitas entidades científicas, profissionais, sindicais e religiosas, que reconhecem o valor da educação para o desenvolvimento de um país: são entidades preocupadas com o crescimento social e cultural da nação e com o bem estar da população, não apenas com o interesse específico de seus membros. Seria absurdo imaginar que a reivindicação pudesse não estar na pauta de entidades que congregam educadores e estudantes que, afinal, são aqueles que melhor conhecem nossa realidade educacional. 

Talvez a chave para entender a verdadeira origem da oposição ao aumento significativo da participação da educação no PIB brasileiro seja a seguinte: se for aumentada a participação da educação no PIB, a participação de outros setores será, obviamente, diminuída. Portanto, aqueles que se opõem àquele aumento, ao mesmo tempo, estão defendendo a não diminuição da participação dos outros setores. 

É evidente que, dentro das contas públicas dos municípios, estados e da união, não há muito de onde tirar. Não é possível reduzir os gastos em saúde, previdência, justiça, segurança, transportes etc., pois todos esses setores também são carentes de recursos. Portanto, não é daí que viriam os recursos. Talvez se possa conseguir alguma coisa com os juros das dívidas públicas. Mas o custo dessas dívidas já não é mais muito significativo, pois os juros reais, descontada a inflação e o imposto de renda na fonte, estão abaixo de 2% ao ano, o que, combinado com uma dívida da ordem da metade do PIB, forneceria cerca de 1% do PIB. 

Uma fonte possível e significativa de recursos viria da eliminação de subvenções dadas pelos municípios, estados e união, na forma de renúncias fiscais, abatimentos de impostos e subsídios, a vários setores e a pessoas físicas. Segundo o próprio Tribunal de Contas da União, a renúncia fiscal apenas da União foi, em 2011, de “R$ 187,3 bilhões [que] ultrapassaram a soma dos orçamentos da saúde, educação e assistência social”. Só esse valor, que não inclui as renúncias fiscais de estados e municípios, já é da ordem de 5% do PIB. Talvez aí esteja uma das razões para tanta campanha contra uma maior participação da educação pública no PIB brasileiro, já que os grandes beneficiados dessas subvenções estão exatamente nos setores mais bem aquinhoados da população e mais bem posicionados para fazer barulho. 

Outro caminho para conseguir maiores recursos para a educação seria um aumento dos impostos para patamares mais condizentes com o que é adotado nos países capitalistas, em especial naqueles que, pobres ou ricos, mantêm um sistema educacional razoável. Um trabalho recente do IPEA mostra que essas correções das alíquotas, ainda que bastante conservadoras e nos mantendo ainda aquém do que se pratica nos países mais organizados, poderiam gerar quase 3% do PIB. Se combinadas com a abolição das renúncias fiscais, já teríamos uma quantidade significativa de recursos para os setores sociais. Possivelmente uma maior formalidade da economia e um combate à sonegação fariam com que a arrecadação pública brasileira se aproximasse daquela dos países mais organizados e, aí, poderíamos ter melhores saúde, educação, previdência, transportes, moradias, saneamento, justiça, segurança etc. 

Conclusão 

O crescimento da produção econômica, vale dizer, de bens e serviços, só vale realmente a pena se a ele corresponder o desenvolvimento social e cultural do país e a promoção do bem estar da sociedade. Assim, com um aumento da participação da educação pública no PIB, o que deverá ocorrer, pelo menos em grande parte, por um aumento da arrecadação pública, podemos ganhar de vários lados. Se esse aumento for bem dirigido, as fábricas de móveis produzirão menos mesas de bar e mais carteiras escolares; nossas crianças e jovens passarão mais tempo participativos e atentos às atividades propostas por um professor do que a joguinhos em celular, em computador ou a programas pouco instrutivos da televisão; construtoras, pedreiros e engenheiros se ocuparão mais com construções escolares do que com shopping centers; as confecções produzirão mais uniformes escolares do que roupas de grife. E, o que é o melhor, haverá boas universidades e licenciandos bem preparados para educar as próximas gerações e garantir um futuro melhor para o país. 

Enfim, poderemos trocar más práticas por práticas melhores e todos ganharíamos. Muitos países fizeram isso e deu certo. Por que não fazer aqui também? Mas, claro, essa é uma opção ideológica e dependente de classe e de quem a toma. 

Otaviano Helene, professor do Instituto de Física da USP, foi presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp) e do Inep/MEC; Lighia B. Horodynski-Matsushigue, professora do Instituto de Física da USP, membro do Grupo de Trabalho de Política Educacional da Adusp e do ANDES-SN.
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8 de novembro de 2012

O grande educador Anísio Teixeira terá sua morte investigada 41 anos depois

Aconteceu hoje em Brasília, hoje, às 10 da manhã, na Fundação Darcy Ribeiro, uma audiência da Comissão Nacional da Verdade, em que o filho do educador Anísio Teixeira, Carlos Antonio Teixeira, seu sobrinho, Haroldo Lima, e o pesquisador de sua vida e obra, o professor João Augusto de Lima Rocha, apresentaram um dossiê que indica ser falsa a versão oficial de que o professor morreu em consequência de uma suposta queda no elevador do prédio do imortal Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, Edifício Duque de Caxias, Praia de Botafogo 48, Rio de Janeiro…

Como conto aqui ao lado, nas Borbulhantes, Anisio, com aquela visita a Aurélio, encerrava o protocolar “beija-mão”, apresentando-se como candidato a imortal da Academia Brasileira de Letras por indicação do amigo imortal Hermes Lima, que via nisso maneira de resguardá-lo dos perigos da Ditadura Militar…

Anísio desapareceu no dia 11 de março de 1971. Seu corpo foi encontrado, apenas dois dias depois, no poço do elevador do edifício…

Há indicações, confirmadas por duas personalidades importantes próximas da família do educador e ligadas aos golpistas de 1964, de que, em torno do meio-dia daquele dia 31, Anísio se encontrava detido em instalação da Aeronáutica no Rio, e não caído no fosso do elevador, conforme a versão oficial afirmou…

O dossiê entregue à Comissão Nacional da Verdade contém indícios de que a morte ocorreu sob tortura, dois meses antes da morte de meu irmão Stuart Angel (o comandante da Base Aérea do Galeão era o mesmo brigadeiro Burnier envolvido na morte de meu irmão Stuart) e um mês após a morte de Rubens Paiva, parecendo haver conexão entre os três episódios. Era o governo do general Emilio Garrastazu Médici, aquele em que mais se matou…

Todos esperamos que as investigações a cargo da Comissão Nacional da Verdade possam levar ao esclarecimento completo dessa tragédia brasileira que se arrasta há 41 anos!…

O professor João Augusto de Lima Rocha, da UFBA, estudioso da vida e obra de Anísio Teixeira, é um personagem importante na exumação dessa história nebulosa da morte de Teixeira. Ainda há brasileiros éticos e dignos que não entregaram os pontos…

A morte em circunstâncias dúbias do educador baiano Anisio Teixeira, que revolucionou o ensino brasileiro, será agora investigada, enfim!

Amigo de Monteiro Lobato, amigo de Darcy Ribeiro, criou a CAPES, fundou a Universidade de Brasília, a Escola Parque em Salvador, que serviu de modelo aos Cieps e Ciacs.

Dois meses antes de morrer, Anisio Teixeira escreveu ao amigo Fernando de Azevedo:

“Por mais que busquemos aceitar a morte, ela nos chega sempre como algo de imprevisto e terrível, talvez devido ao seu caráter definitivo: a vida é permanente transição, interrompida por estes sobressaltos bruscos de morte”